domingo, 11 de dezembro de 2011
Recados de amor ultimus

(Víctor Lemes)

Engraçado é pensar que antes, quando ouvia o vento a sussurrar pela janela do meu quarto, eu pensava que era você, meu Amor. Não havia dia ruim, não. Não tinha chuva chata nas manhãs de segunda-feira que me fizesse recusar sair de casa. Antes de conhecê-la, nunca havia pensado em estabelecer metas, ou ainda em poder ter sonhos, como as crianças têm. Quem diria então! Eu, escrever cartas! Ora, ora! E escrevi algumas cartas mais que cartas simples, mas ainda simples cartas de Amor... algumas sem respostas, outras cheias de perguntas nas entrelinhas. Pode me chamar de egoísta, Amor, mas do mesmo jeito que te pus aqui dentro e roubei uma parte do teu coração, hoje pretendo pôr um fim para este nosso nunca-começo. Bateu a minha porta, mas nunca se convidou a entrar; estendi a mão procurando te alcançar tantas vezes, mas linhas não foram o bastante: nunca o são. É preciso esquecê-la para te encontrar um dia nas Terras do Infinito. Guardei todas as suas lembranças nas minhas gavetas. Você me ensinou muito com o simples que sabe. E lhe agradeço, muito. Perdoa-me se magoa tua alma. Um dia ela vai entender. Nada que escrevi é mentira, por favor, nunca duvide disso. Apenas, assim como um amigo meu um dia me disse (aliás, diversas vezes o fez): "Confia." Lhe deixo nas mãos do Pai.

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