Quem cala, consente

(Víctor Lemes de Souza)

Nem sempre. Eu ouvi de Osho uma certa vez que o silêncio é sempre a melhor resposta, pois, segundo ele, as palavras que saem da nossa boca não são para os outros, somente para nós mesmos. E ele tem razão. Eu como um profissional de Letras me torno um tanto contrário à mim mesmo, quando afirmo que língua nenhuma deveria existir. Já discuti sobre isso em outros artigos neste blog e outro, sobre a importância ou falta dela no ato de falar, e quando ouvi de Osho basicamente o mesmo, pensei comigo: "acho que não estive tão errado assim". Quem ouve, fala em dobro, dizia o Mestre no alto do Hermon. A palavra foi criada como meio de controle. Já expliquei em outra ocasião, mas repito: lhe ensinaram um gripo limitado de palavras, e lhe disseram que pra se expressar você precisa abrir a boca e falá-las; acontece que há coisas que você sente no seu interior, e que não foram inventadas palavras para descrevê-las, e então você se vê limitado, controlado dentro da sua própria cabeça. Isso faz parte do jogo que eles criaram para se divertir conosco. Você então se vê impossibilitado de expressar o que realmente sente, e aquilo que era pra ser dito com o olhar você já nem se lembra mais como fazê-lo.

"Words are very unnecessary, they can only do harm." - Depeche Mode

O planeta Terra, ou Gaia como a sorte costuma chamá-la, é um ser. Por conseguinte, sente. Não fala. Sente. Tudo que é mais puro nela (vou me referir à Gaia, portanto escreverei sempre no feminino a partir de agora) sente. É uma pretensão enorme do humano rotular os animais como inferiores porque eles, segundo o homem, não raciocinam, não pensam como nós, não falam, e um monte de baboseiras humanas cheias de etceteras. Por que que o homem se vê no direito de querer ser o superior para tudo? Essa é uma pergunta que eu me faço desde sempre, não somente em respeito aos animais, mas também aos direitos para com as mulheres, ou em relação à distinção de raças, por exemplo. Osho tem uma resposta para isso, mas não vou me estender nesse assunto.

Há quem diga que Deus existe, e há quem pense que não. Dão-lhe nomes com letras maiúsculas e minúsculas, rotulam-no como masculino (novidade?), entre outras coisas. Chego a conclusão de que seja o que for que ela seja (se fôssemos colocar Deus em conceitos humanos, segundo o Galileu, deveríamos nos referir a "Deus" no feminino, afinal, no Universo quem é responsável pela criação são as mulheres), ela é tudo. Ela não foi criada, e portanto não há começo nem fim. Ela é. Então eu posso dizer que eu sou Ela, assim como a cadeira que estou sentado agora também é, e o meu cachorro lá embaixo deitado no sofá também, e as partículas de oxigênio que respiro também. Seguindo esse modelo, eu já sou um Criador por Natureza. Sou uma partícula da Existência. Eu já estava aqui antes de nascer, e quando eu morrer eu não vou morrer. Porque eu existo. Eu Sou.

Quem me deu esse direito de viver? A Existência. E o que fazemos com ela? Nos contentamos em passar nossas vidas trancafiados em cubículos preocupados com regras de jogos que nem sequer inventamos. Mas jogamos mesmo assim, mesmo sem saber. Afinal, o jogo foi feito para perder. E só pode perder quem um dia ganhou. Um jogo é feito para competir. A sociedade capitalista nos tornou jogadores: precisamos saber as regras, saber o que podemos ou não fazer; quais estratégias devemos seguir, quais medidas tomar; tudo para chegar numa casa final de um tabuleiro que tampouco existe. Nunca vi sentido nessa corrida.

"No juzgues, aunque creas que tienes razón." - Jesus de Nazaré 

Nunca uma frase teve tanto impacto para mim como essa acima. Quando se entende que todos somos um, que todos somos iguais porque somos cada um único no Universo, não há porquê julgar ninguém. E, sinceramente, esse é uma das coisas que eu havia perdido até dois dias atrás. Procurava respeitar e não julgar ninguém por suas diferenças ou gostos, mas quando entrei para o mundo adulto, onde todos usam máscaras, passei a ser levado pela correnteza de julgamentos inúteis, comentários mesquinhos, atos idiotas. Num mundo todo errado, se torna difícil ser a si mesmo. Mas é um desafio que aceitei cumprir, e que embora não haja quem me entenda, sem contar minha sorte, vou fazê-lo. Por isso, inclusive, resolvi escrever este texto. Como expliquei no começo, ele serve pra mim primeiramente, mas se seus olhos estão lendo isso agora, é porque a sincronia da Existência reserva algumas surpresas pra sua vida, tanto quanto à minha.

Ouço muito me falarem de hipocrisia, de consciência. Mas será mesmo que podem falar com tanta convicção assim, como se já soubessem o que é ser consciente? Se você seguir nossa filosofia do parágrafo anterior, vai perceber que fazer isso é maior furada do universo. Há uma única lei no Universo: a Lei do Retorno. Ela basicamente funciona da seguinte maneira: o que você dá, você recebe. Mas atenção! Há infinitos meios para que você receba aquilo que um dia deu. É como se você desse hum quilo de batatas, e o Universo lhe pagasse com hum quilo de algodão. O que importa para o Universo são energias. O quanto de energia positiva ou negativa você dar, ela vai retornar a você, inexoravelmente. Eu sei bem como é isso.

A vida é muito simples. É a lógica que mais simples que há, e vou te falar uma coisa. A verdadeira consciência começa para os pequenos seres. Enquanto o humano se sentir no direito de acabar com a vida do "inferior", nada de bom há de ver na vida desse humano. Pelo menos não em sua totalidade, nunca vai ser completo. É aí que entra o respeito para com Gaia, e todos os seus seres sencientes. Enquanto você cultuar o sangue na sua mesa de jantar, não poderá colher alegrias na sua vida. Enquanto continuar alimentando o medo, não haverá espaço pra Luz. Não queira falar de consciência com alguém, quando não se tem consciência perante qualquer outro assunto. Daí que vem aquela máxima de não julgar a ninguém, pois não há como. Sempre vai ter alguma coisa que falta consciência naquele ser, mas tenha fé, confie na Existência, que ele mesmo vai despertar no momento certo, na vida dele.

No meio de todo o caos que meu país tem passado, é momento perfeito para olharmos para dentro, e ver o que plantamos, e o que estamos colhendo. E o que queremos para um futuro melhor. Tenho lido muito sobre o anarquismo, e talvez seja esse o momento de mudar um pouco. É hora de o humano se lembrar que ele é um animal também, e por consequência, deve se reconectar à Gaia. Uma vez livre dessas besteiras que temos na sociedade, uma vez livres de verdade, teremos a oportunidade de sermos quem realmente somos, uma espécie pacífica, que Ama acima de tudo. E Ama a todos. Sem diferenças.

Já falei em vários outros desabafos como esse, mas repito: o Amor não separa. E com isso, encerro aqui meu texto, frisando que isto tudo faz parte daquilo que um Victor Lemes de Souza sente. Se isso tocar-lhe o coração, encontre suas próprias respostas, não aceite as minhas como certas. Mas se não o fizer, não tem problema; nada é em vão no Universo.

"Confia, mal'ak! Confia que o Pai não erra!" - Micael de Nébadon.

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SOBRE O AUTOR

Víctor Lemes, idealizador e administrador do blog, geminiano nascido em 1989, em São Bernardo do Campo. Formado em Letras (UniAnchieta/Jundiaí - 2009), e pós-graduado em Especialização em Língua Inglesa (UniAnchieta/Jundiaí - 2011), trabalha como coordenador pedagógico e professor de inglês na escola de idiomas CNA, localizado em Louveira, cidade em que mora desde 2002.

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