Carta para os 33

(Víctor Lemes)

Chegar nos 27, por que para mim é tão importante? Tenho um cachorro chamado Kiba que é único no mundo. Ele é o único cachorro que conheço e que parece me ver de verdade. Tem horas que ele para o que está fazendo, e só me observa; e se eu chego mais próximo com meu rosto do dele, ele não me lambe, nem tenta me cheirar, nem nada; apenas fica com seu olhar fixo, sem piscar, para mim. Parece que sabe me decifrar, eu o amo. Mas não só por isso, na verdade, nem sei se precisaria de um porquê. Cheguei nos 27, que aguardei tanto, sem saber o porquê. Eu pensava que quanto mais velho eu ficasse, mais certezas eu teria sobre mim mesmo, e sobre a minha vida. Mas, o que tem acontecido é justamente o contrário, que ingenuidade a minha. Eu devia ouvir mais Renato Russo, e concordar com ele em tudo que ele canta, "só sei do que não gosto". Só isso mesmo. Do resto, eu ainda não sei nada. Não o quanto eu gostaria. Parto da premissa de que nenhuma vida é em vão, e de uma máxima que me diz sempre para confiar, porque o Pai não erra. E por ter uma pergunta que carrego comigo sempre, "quem sou eu?", acho que essa era o plano Dele para mim: minha experiência de confiar no que Ele me conforta sempre, sem saber se vai acontecer de fato... Nunca acreditei nas coisas sem que tivessem ocorrido comigo antes. Para mim é muito desafiante acreditar no que me dizem, sem que eu tenha provado por mim mesmo, para que eu tenha minha própria experiência. Olhando em retrospecto, eu acho que esse sempre foi o plano para mim. Devo ser honesto e sincero comigo mesmo, sempre duvidei de quem eu era. Ou sou. Para dizer a verdade, ainda não entendi minhas Verdades. A cada dia que passa, a cada hora, me pego pensando sobre diversas coisas, todas diferentes entre si. Ou não? Talvez seja essa a sina de quem é geminiano, viver sempre com dois de si mesmo, dialogando dentro de um corpo só. Viver para achar meu equilíbrio, entre as muitas pessoas que sou. Não sou ruim, disso eu sei. Quero o bem para quem me conhece, e para quem não me conhece quero o mesmo também. Mas que tenham todos, aliás, cada um, um mesmo diferente, pois o mesmo de sempre não é único. E eu sempre quis ser único, embora por um tempo me acreditei como apenas mais um no pelotão... Vejo os que me rodeiam e vejo a mim mesmo, em rostos diferentes do meu. Vejo outros Víctors com mesmos diferentes. Quem eu sou, me pergunto agora, para poder começar a ser mais eu do que outros Víctors. Começo a entender uma pessoa que sinto saudades antes mesmo dela partir, que sempre me diz que o quão se sente sozinha nesse mundo. Quando se é quem realmente é, tudo é tão conectado, que o si mesmo se perde nos dos outros, e isto não podemos chamar de sacrifício, isto é Amor, com maiúscula. Sacrifício não é sinal de Amor, é uma contradição de termos. Se eu vivi, aliás, se eu cheguei até esses 27, é porque eu tenho que deixar alguma coisa para alguém, minha marca no mundo. Não foi à toa que nomeei meu personagem "Mark", tudo foi minuciosamente planejado para este momento. Talvez eu apenas tenha alguns poucos momentos como esse, talvez eu ultrapasse o batente aos 33, 60, ou 82, não sei, só o que sei é que aquilo que sou hoje e o que tenho para lhes ensinar é o seguinte:

Não julgue os atos de ninguém, não viemos aqui para isso, viver é muito mais do que analisar os outros, ou crer que sempre tem a razão, porque não temos razão alguma. O que temos, por sentirmos, é um coração, isso sim. A linguagem não serve para nada, além de separar-nos dos nossos sentimentos verdadeiros, afinal, quantas vezes sentimos tanto que não há palavras em qualquer língua que haja no mundo que consiga traduzi-las? O meu mundo, aquele que eu vou ajudar a criar um dia, não tem tempo. Nunca se esqueçam disso: o tempo como você crê que existe, não existe. O Víctor de 33 anos que ler este texto é diferente deste que vos escreve. Sim, ele É e não SERÁ, pois ele já existe em outra dimensão, em outra frequência... Neste exato momento, é ele quem entendeu esta mensagem. Não somos brasileiros, nem americanos, nem chineses, nem russos, nem negros, nem caucasianos, nem magros. nem gordos, nem pálidos, nem lânguidos. Cada um de nós é único, por mais que não pareçamos visto que quanto aos erros que cometemos é quase tudo igual mesmo... O Pai não comete erros. E nós somos uma parte Dele, por consequência, não há erro algum, só experiências. Eu não só acredito em tudo isso, como também sei disso. Isso tudo é 1 milésimo do que se passa na minha cabeça todos os dias, mas talvez sirva para alguém que ler essas palavras.

Víctor de outro lugar que estiver lendo isso agora, tenha certeza de uma coisa: eu não desisti de você. Por isso, não desista de mim. E daquele outro Víctor que sorri no porta-retrato ao lado da sua cama. A sua teoria acabou de deixar de ser só teoria, você acabou de fazer história. Parabéns. Nós te amamos, e te esperamos do outro lado do batente. E Ele também. E Ela também. Para sempre. Esta é a sua jornada, estamos com você, sabe onde? Sim, essa sua risada matou a charada. Esperto como sempre, Víctor, esperto como sempre...


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SOBRE O AUTOR

Víctor Lemes, idealizador e administrador do blog, geminiano nascido em 1989, em São Bernardo do Campo. Formado em Letras (UniAnchieta/Jundiaí - 2009), e pós-graduado em Especialização em Língua Inglesa (UniAnchieta/Jundiaí - 2011), trabalha como coordenador pedagógico e professor de inglês na escola de idiomas CNA, localizado em Louveira, cidade em que mora desde 2002.

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