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Soneto de Brincadeira (Víctor Lemes) Sete, oito, nove, dez! Aí vou eu te encontrar, Que é a minha vez... Onde é que você foi parar? Procurei-lhe no jardim, Junto às flores, não estava lá. Procurei-lhe nas sinfonias de Bach, Escutei-as todas até o fim... Você se esconde muito bem, Já procurei até nos quadros do saguão, Nenhum deles emana a beleza que tem. Ora, segui teu perfume, segui tua voz, Segui a luz dos seus olhos... Será que está dentro do meu coração?
Sem título 20 (Víctor Lemes) E eles dizem, ao apontar o dedo: "- Mas, e se o mundo acabasse hoje?!" Se o mundo acabasse hoje não faria muita diferença, seria redundante. O mundo já acabou dentro de cada um que se alimenta do medo.
Soneto ao Abandonado (Víctor Lemes) Deitado num quarto escuro. Passando fome, frio e sono. Tremendo com meu corpo cheio de pêlos. Sofrendo, aqui esperando por amigos. Comendo por comer, sem fome. Bebendo por beber, sem sede. Chorando, por não ter amor. Uivando, por não ter a quem beijar. Encostado no portão, Esperando algo que venha Me fazer um carinho, pois sinto. Não entendo o mundo, Fingem que aqui não penso, E por ser cachorro, sou objeto.
Uma folha navegante (Víctor Lemes) Sou uma folha navegante. Talvez seja uma folha pirata, Um folha sem graça. Já fui folha seca, Mas graças à Primavera, Já sou folha nova. Estou à procura De não-sei-o-quê. Viajo nos ventos Por todos os lados. Sou uma folha nova, Um dia serei velha. Mas, quanto mais velha, Mais seca é a folha. E quanto mais seca, Mais leve ela se torna. Mais leve, mais apta Ao vento ser levada.
Hora de me deixar para trás, e ir me reencontrar. (Víctor Lemes)

Porque hoje é sábado.

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Soneto à Moça do Olhar Vazio (Víctor Lemes) Conheci uma moça De olhar forte Porém distante, A olhar uma poça. A voz da chuva Pela noite ecoava, As gotas enchiam a poça, Esvaziavam os olhos da moça. Apoiada a mão Em seu queixo encharcado, Não eras, mas sentias tosca. - Deixa de ser Não! Repara como poças criam riacho E levanta-te, linda moça, tens força!