Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Clarice e Vinícius

E ele nunca mentiu

(Víctor Lemes) Talvez a barra que aparece e desaparece em frente a essas palavras que vou escrevendo seja um sinal, ou seja um aviso, como um batimento cardíaco, que meu coração agora bate e se conecta com o de outro Víctor. É como conversar com algo invisível, mas só por não conseguir vê-lo, não significa que não exista. É a dúvida que leva à descoberta, e eu sei que esta não chega no final de uma vida, nem de uma jornada; ela se encontra em todas as moradas de uma vida eterna, e se encontra em cada batimento cardíaco que nos cerca. Pra lhe dizer a verdade, ela está aqui neste momento. Esta é sua descoberta. Observe-a, ela esteve à sua espera, sem ter nunca demorado para chegar. Escrevo para os inúmeros Víctors que vão ler estas palavras, ou aqueles que apenas estão imaginando esses pensamentos, ou para aqueles que estão as discursando em outro lugar, ou aqui mesmo, em frente a tela de um computador, impresso na página de algum livro, ou na tradução impossível e ilusória de um pens...

Outro Vinícius

(Víctor Lemes) No meio de um livro, Esquecido à beira da cama, Um Vinícius, um dia, Pôs-se a escrever uma carta De Amor... Uma outra À Clarice, de seus sonhos; Ele sabia que escrevia Por escrever, e na certeza De que ela nunca a leria, Dobrou as folhas e Marcou uma página de Um livro emprestado. Após tê-la escrito, Vinícius A trancou nas páginas Daquela ficção, e não mais Se lembrou da carta... até O presente momento. Agora, Vinícius tem a certeza De que Clarice é outra Clarice, Pois ele é outro Vinícius. Reencontra sua carta, Abre-a, e recita-a À Clarice, seu Universo (Apenas assim, esta a ouve): "Antes de começar, Clarice, Devo lhe dizer que Para tudo aquilo que me dirijo A você, ponho-me antes em Teu lugar e reflito um tanto... Vê, não é difícil fazer isso Contigo, pois vejo-me em você Por muitas vezes. Em outras, Sinto-me um chato, de fato. Teimo em aparecer quando Nunca sou convidado; E às vezes, sinto que estou Atrapalhando tua vida...

Sua pergunta

(Víctor Lemes) Vinícius nunca se sentira Tão desperto, desde o dia Em que se encontrara Com aquela de cabelos bronze: Sua primeira; Clarice. Vinícius possui um único Defeito: se entrega a quem ama Demais e por completo; Esta inocência somada à sua Ingenuidade o levou a ser chamado De louco, sincero demais, vulnerável. Vinícius não sabe guardar Seus sentimentos, tem muitos! Eles transbordam pelos olhos Quando retidos por muito tempo... Vinícius ama sua Clarice. E assim, ele a assusta... E então, chega a mim sua prece, Sua pergunta mais retórica.

Outra Clarice

(Víctor Lemes) Enquanto estive fora Te procurei em outros olhos, Clarice... Minha gana De poder cultivar seus sorrisos, Cuja chance não tive... Procurei um outro amor Com seus cabelos e olhares, Com seu rosto e seus cacoetes Mas, em nenhum outro mundo Senão este, encontrei-te... ou Outra Clarice... Então, busquei em Marta Todo o seu oposto; enamorei-me Com o que você nunca fora. Não consegui aprender a gostar De outra, senão a Clarice A quem, ao pé do ouvido De meu criador, estou agora A rogar esta prece: "Voltei; e por que agora Ela é quem vai embora?"

Uma permissão

(Víctor Lemes) Tenho a impressão de Que te incomodo, Clarice... Desde aquela tarde, Quando decidiram Partir-me de ti, Cerrei meus olhos E subi às estrelas Em busca de conforto... Lembro-me bem Do seu "preciso ficar, Não posso ir contigo." Fui e não fui, E agora ao voltar Reencontro-te como Uma Clarice mais jovem, Mas sei que é você Pois, seus traços são iguais, Seu jeito de inclinar a cabeça Como a Lua costumava (E os gatos também costumam) Fazer enquanto cantava Comigo às noites Que sonhava conosco... Ainda discuto com o Tempo, Há coisas que não mudam Assim tão fácil, sabe? (Sei que acreditas em mim, Clarice.) Há coisas que não mudam Assim tão fácil, sabe? Ainda és, para mim, inalcançável. (Só ainda não descobri se fazes de propósito, Clarice.) Saudades tuas.

Soneto ao meu Reflexo

"Ai que saudade d'ocê" (Zeca Baleiro) (Víctor Lemes) Se todos os meus amores São o reflexo de quem sou, Você, Clarice, é a mais bela Entre todos eles. Escrever agora é fácil, É pensar por escrito O que levo comigo por dentro, É celebrar meu espelho. Inexoravelmente, Clarice Que é como eu, minha Gente há de se revelar a você. Você é meu instante, Clarice. Não te quero tampouco desejo-lhe Como um troféu na minha estante.

500

(Víctor Lemes) Posso dizer que sou um felizardo? Acho que posso sim. Pois, tudo que recebi Foi aquilo que me havia sido dado. E então, meus sonhos se soltaram E saíram por aí em diversos formatos, Há pessoas a mais no mundo Carregando meu sorriso. Inclusive me trouxeram De volta uma personagem Que não era ficção, ou invenção, Ele me trouxe novamente A Clarice a quem tanto escrevi, E me inspirei, e amei. Todo o meu passado Foi revisto e revisitado No ano que está prestes a passar. E minhas memórias Foram atualizadas. E a lição que tenho que aprender No segundo que acabou de passar É de que ela existe. Posso me alegrar por sua Reaparição? Posso dizer que foi Tudo mágica da Criação? Pode, por favor, levar contigo Parte do meu coração?

Tango de Poetisa

(Víctor Lemes) Caminhava a passos largos, Por uma viela, estava lá Vinícius: homem moreno alto, Olhos castanhos; usava óculos, Deixava a barba por fazer E as unhas das mãos também. Quem para elas olhasse Pensaria que ele soubesse Tocar violão, ou outro instrumento Qualquer de cordas... Estava a passadas largas, Quando ao coçar a barba mal-feita Levantou seu rosto, E viu! - Clarice! Clarice! Gritava agora Vinícius, Por entre as avenidas, Tropeçava nos transeuntes, Seu rosto miracva o céu. - Clarice! Desce! Desce, Clarice! A noite caía e a Lua já cantarolava: “Desfia teu carpete, Puxa o barbante, Enquanto ela voa, Tu andas à toa.” BAM! Batera a cabeça no poste, E não soube ver estrelas Circularem por sua cabeça; - Clarice, você desceu... Apenas Clarices, em tapetes voadores.

O segundo foi Vinícius

(Víctor Lemes) Tendo em mãos então Teus sonhos em notas, Sentiu os raios de sol A queimar-lhe os olhos, E com ambas as mãos Cobriu seu rosto Feito aba de boné; E pôde ver, algo cruzar Os céus, ocultando A maior das estrelas Por segundos... Desaparecendo se foi, Rumo ao grande Amarelo; "Só pode ter sido Clarice, Com seu voador tapete..."

O primeiro foi Pedro

(Víctor Lemes) Ao abir a porta me deparei com um ser conhecido meu. Me estendeu o braço A fim de mostrar-me algo E entregou-me. Era um bloco de notas, As quais, dizia ele, Eram seus sonhos. Com um sorriso no rosto, Meio entristecido mas feliz, Disse-me que era hora. E eu então, antes de ir embora, Agarrei-lhe pelas mãos, E abracei-lhe forte. Chorei em seus ombros, Assim como momentaneamente Perdemos alguém que nos ama muito. Nossos corpos se separaram, E caíra o amor que estava ali no meio, Aquecido entre nossos corpos. Virou-se feito catavento, Desfez-se de mim, e seguiu Seu caminho desaparecendo aos poucos. Num último instante, numa fração de segundo, Segurei forte meu coração, E gritei: "Eu te amo, Vinícius!"

O capítulo dos Céus

(Víctor Lemes) Vinícius pôs-se a dormir, Enquanto Deus chorava lá fora. No meio da noite acordara Tão de repente, Que até o Chefe se assustara, E um grito ressoou nos céus: - Ca-brum! Vinicius então, levantou-se da cama, rumou até a sacada de seu quarto, E fitou os olhos inúmeros de sua amada. "Não amo uma pessoa, ela deve ser mesmo É uma aranha!" Disse para o Velho de barbas brancas que sentava-se Em uma das nuvens plúmbeas... Se referia às estrelas que brilhavam No quintal daquele Ancião. Para Vinicius, não passavam de meros olhos De sua amada, Clarice... Ele sabia que a perdera por fora, Mas que ainda a mantinha por dentro. Enquanto aquele Raio sorria, Vinicius ia se lembrando de tudo Que até então vivia. Como é belo o Amor de Vinicius! Quem dera eu pudesse ter tido a chance De tê-lo conhecido neste imenso sonho, Que uns chamam 'vida'. Eu, que vivo assim, em ânsia de poder tocar os lábios Doces e sensíveis daquela a qual o eu-lírico ...

Estou sonhando!

(Víctor Lemes) Um dia eu acordei envolvido por flores, Despertei como um feto em ventre de mãe: Encolhido, agarrado às próprias pernas, Como dizem por aí, como as conchas. No céu as nuvens escreviam palavras, Pareciam que era como versos Soltos, vagando num espaço sem rumo, Ao longe podia ouvir-se os cantos. A voz forte, me fez lembrar certa pessoa, Talvez a conhecesse, mas não conseguia Me lembrar de seu rosto, ou de seu tom. Quando parei para refletir, me recordei Que só havia procurado luz no alto, E quando mirei os olhos ao chão, que surpresa... * Estava em uma praia! Que linda era sua areia. Não era dourada, nem tinha cor de areia, Mais parecia farelo de cristais brancos, Ou transparentes. Lembrei-me de teu olhar. Refletido nas águas daquele oceano de prata, Bem a minha frente, pude ver um rosto lindo, Leve, belo. De uma garota que me foi lembrada, Já a tivera conhecido, em algum lugar outro. E me bateu uma saudade imensa! Senti aquele fogo q...

Suas iniciais são iguais

(Víctor Lemes) Estava eu sentado num dos galhos mais altos. Quando uma menina sentou-se próximo à árvore. Encostou suas costas no tronco áspero, e abriu um livro. Curioso que sou, fui descendo galho a galho, Sem chamar muita atenção. Cheguei bem próximo à bela menina, De cabelos na altura dos ombros, Olhar forte, concentrada em sua leitura. Me inclinei um pouco mais, e assim, Pude ler uma parcela de uma linha, Que então dizia: "Vivo de coincidências, Vivo de linhas que incidem uma na outra E se cruzam"... Não pude ler o resto, Pois a garota percebera minha presença, E num movimento rápido ergueu sua cabeça! Assustei-me, dei um pulo pra trás. Chacoalhei uma porção de galhos, E folhas pousaram em seus lindos cabelos. Ela sorriu, encantada. Ergueu o livro em minha direção, E leu em voz alta, como se quisesse que eu a ouvisse: "Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou andando pela rua E do vento me cai uma folha exatament...

Estou voando!

(Víctor Lemes) Quando cheguei em casa, larguei minha bolsa em cima do sofá, e subi correndo até meu quarto. Lá, abri as portas do armário, vesti minha roupa especial, troquei os óculos. Desci feito bala as escadas, tropecei em mim mesmo, por pouco caí, e me lembrei de rir. Saltitando nos corredores cheguei à cozinha, bebi um copo d'água. Voltei pelo mesmo corredor, em direção à sala. Sentei-me no mesmo sofá da bolsa, calcei as sandálias. Abri a porta, e com uma palma da mão aberta por sobre os olhos, observei o céu. O Sol já estava se deitando no horizonte, o vento estava bom o bastante pra bagunçar meus cabelos. Sorri, enchi meu peito de ar fresco. Tornei-me um com Ele. Caminhei até a garagem, tirei o lençol que cobria minha espaço-nave. Abri o portão de casa, empurrei-a até lá fora. Sentei-me na poltrona principal. Imaginei o motor roncando, as turbinas girando. E assim foi. Me situei em cima de minha casa, e por nem um segundo, lá eu estava. Voava! Atravessava nuvens ve...