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De Janeiro

(Víctor Lemes) Nos dias vindouros Não quero ter outros Que só pensam em mim Se em meus versos Lhes ofereço a eternidade De meu espírito afim. Do meu livro só lerão Aquilo que ninguém Ousou saber. De Janeiro em diante , Os que pensam quem sou Me julgarão,  e os que sentem As feridas das minhas palavras No fundo do coração Tentarão entender quem sou, Todos com verdades próprias E com certezas absurdas. Grato pela atenção.

O quê quis dizer

(Victor Lemes) Não fique desanimada com o mundo. Ou porque eles dizem Que você faz parte agora dos adultos. Sempre seremos pequenos príncipes, E vão ter horas e dias Que você vai ter que jogar O jogo deles, mas Só do lado de fora. Você não está sozinha Nesta confusão. E eu acho que você vai Brigar com muita gente ainda, Para tentar fazer com que eles te entendam, Mas logo, você vai ver Que não compensa a energia gasta. Eu poderia recomendar que nao fizesse isso, Mas, se assim o fizesse,  você nao aprenderia. Há uma história De que há um mundo lá fora, E que não há tempo suficiente Para conhecê-lo todo. Mas, sabe? Há um mundo muito maior Dentro desse seu coração, E que vale muito mais, Que você podia ficar nele sempre... E vão te chamar de introspectiva, Antissocial. Mas, que culpa você terá Em querer ficar num lugar Onde todos aqueles que ama, Se encontram num só instante? Sabe,  Eu aprendi uma coisa Nos livros que leio, Dos gran...

Ano Nove

(Víctor Lemes) Em minha chegada Parti da nona Parte da década, Que ao findar-se Deu-se a nona Parte de um século. Em minha partida Parto da soma nove De uma década Menos um ano À partir de agora, E não me vou sozinho. De meu legado Deixo estirado Algumas palavras Em versos, estampados No coração daqueles Que seguem o que digo, E daqueles que ao me sentirem Me seguem. Da saudade Levo um pedaço Roubado de cada Parte do coração De quem me ama, Amou, ou me teve Como resposta De alguma pergunta Que nunca fizera. Do Amor, O que tenho em mim Guardado, no nove Ele será repartido E retirado, para cada Pequeno príncipe e princesa Possa cultivá-lo Dentro de coberturas De vidro.

Se movi-mente

Se movi- mente (Víctor Lemes) Hoje pela manhã, Estava preparado pra chorar, Mas as lágrimas não Estavam prontas... Devo esperá-las se arrumarem, Muito embora eu saiba que Há aquelas que Teimam sair sozinhas Sem minha permissão. São aquelas que fingem Que não existo Quando o coração É quem está falando. Às vezes, elas são Tudo que temos Dentro de nós E, ainda assim, Defenestram Por nossa janelas. As que têm sorte São salvas por uma mão Que conforta Nossa alma. Outras simples- Mente morrem Sendo absorvidas Pelo algodão das camisetas. Lágrimas são como Os amores: Quanto mais você tentar guardá-las no seu olhar, Mais fáceis serão De escaparem Do coração. E é ali no meio Que resido, Pois estou só De passagem.

Adorável

(Víctor Lemes) Pensei que nunca mais veria O olhar que brotou brilhante Dos olhos daquele menino, Olhar este que a ela pertencia. Um par de olhos Muito parecidos Àquela cujo livro Não tem fim. E eu aqui pensava Que apenas ela os tivesse, Percebi então que Seus olhos, eu amava. Pois, vejo-os na criança Que encontro às quartas, E em saudades me debruço Nos versos que lhe guardo.

Passar, no diminutivo

(Víctor Lemes e Emilson Zórzi) Passeei por fronteiras, passei passarinho, E por cima das nuvens, montei o meu ninho. De graveto em memórias, fui botando capricho, Pra mais tarde, outras aves não virem por fuxico. E então em leve nuvem Fiz minha espaçonave Longe de mim, Não sou feito de asas não, Sou mal-feito, isso sim. Tenho os pés no chão Mas voo com meus olhos; Se aventuram neles Os que por esta terra pisaram. Vaguei por estradas, vaguei sozinho, E por sob as nuvens, perdi o caminho. De poesias e memórias reescrevo eu mesmo, Pois já não sou alado: apenas ao seu lado.

Ficar no mesmo

(Víctor Lemes) Minhas palavras metidas Nestes versos um dia Lhe mostraram o quanto Eu te amava. Agora preciso que aceite O que já não mais existe Neste universo. Às noites sou uma estação De rádio; imóvel e à espera De receber algo que alcance Minha frequência. E, com certa frequência, você (De agora ou outros lugares) Tem me sintonizado. Chegou a vez sua De criar a oportunidade una, Chegou a vez de criar Da sua realidade a próxima. Sem perceber que eu o fazia Dei vida àquele seu sonho De outro dia, No qual lhe escrevia Um poema de adeus.