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Um sonho dentro de outro qualquer

(Víctor Lemes) Aceita este beijo em sua testa! E, ao afastar-me de você agora, Há muito, devia confessá-la: Não está errada ao julgar Que meus dias tem sido um sonho; Mesmo que a esperança tenha voado por aí Numa noite, ou num dia, Numa visão, ou em nada, Há de restar, ao menos, alguma? Tudo que se vê ou que parece ser Não passa de um sonho dentro de outro qualquer. Estou em frente à uma Praia atormentada, E tenho em minhas mãos Areia, estes dourados grãos Tão ínfimos! Mas, ainda mergulham Por entre meus dedos, vão até o fundo, Enquanto estou em pranto – em pranto profundo! Ó Céus! Será que não consigo Abraçá-los, e tê-los sempre comigo? Ó Céus! Será que não consigo salvar Nem sequer um duma pobre onda? Será tudo que se vê ou que parece ser Nada mais é que um sonho dentro de outro qualquer? ** Tradução do poema "A dream within a dream" de Edgar Allan Poe.

De Janeiro

(Víctor Lemes) Nos dias vindouros Não quero ter outros Que só pensam em mim Se em meus versos Lhes ofereço a eternidade De meu espírito afim. Do meu livro só lerão Aquilo que ninguém Ousou saber. De Janeiro em diante , Os que pensam quem sou Me julgarão,  e os que sentem As feridas das minhas palavras No fundo do coração Tentarão entender quem sou, Todos com verdades próprias E com certezas absurdas. Grato pela atenção.

O quê quis dizer

(Victor Lemes) Não fique desanimada com o mundo. Ou porque eles dizem Que você faz parte agora dos adultos. Sempre seremos pequenos príncipes, E vão ter horas e dias Que você vai ter que jogar O jogo deles, mas Só do lado de fora. Você não está sozinha Nesta confusão. E eu acho que você vai Brigar com muita gente ainda, Para tentar fazer com que eles te entendam, Mas logo, você vai ver Que não compensa a energia gasta. Eu poderia recomendar que nao fizesse isso, Mas, se assim o fizesse,  você nao aprenderia. Há uma história De que há um mundo lá fora, E que não há tempo suficiente Para conhecê-lo todo. Mas, sabe? Há um mundo muito maior Dentro desse seu coração, E que vale muito mais, Que você podia ficar nele sempre... E vão te chamar de introspectiva, Antissocial. Mas, que culpa você terá Em querer ficar num lugar Onde todos aqueles que ama, Se encontram num só instante? Sabe,  Eu aprendi uma coisa Nos livros que leio, Dos gran...

Ano Nove

(Víctor Lemes) Em minha chegada Parti da nona Parte da década, Que ao findar-se Deu-se a nona Parte de um século. Em minha partida Parto da soma nove De uma década Menos um ano À partir de agora, E não me vou sozinho. De meu legado Deixo estirado Algumas palavras Em versos, estampados No coração daqueles Que seguem o que digo, E daqueles que ao me sentirem Me seguem. Da saudade Levo um pedaço Roubado de cada Parte do coração De quem me ama, Amou, ou me teve Como resposta De alguma pergunta Que nunca fizera. Do Amor, O que tenho em mim Guardado, no nove Ele será repartido E retirado, para cada Pequeno príncipe e princesa Possa cultivá-lo Dentro de coberturas De vidro.

Se movi-mente

Se movi- mente (Víctor Lemes) Hoje pela manhã, Estava preparado pra chorar, Mas as lágrimas não Estavam prontas... Devo esperá-las se arrumarem, Muito embora eu saiba que Há aquelas que Teimam sair sozinhas Sem minha permissão. São aquelas que fingem Que não existo Quando o coração É quem está falando. Às vezes, elas são Tudo que temos Dentro de nós E, ainda assim, Defenestram Por nossa janelas. As que têm sorte São salvas por uma mão Que conforta Nossa alma. Outras simples- Mente morrem Sendo absorvidas Pelo algodão das camisetas. Lágrimas são como Os amores: Quanto mais você tentar guardá-las no seu olhar, Mais fáceis serão De escaparem Do coração. E é ali no meio Que resido, Pois estou só De passagem.

Adorável

(Víctor Lemes) Pensei que nunca mais veria O olhar que brotou brilhante Dos olhos daquele menino, Olhar este que a ela pertencia. Um par de olhos Muito parecidos Àquela cujo livro Não tem fim. E eu aqui pensava Que apenas ela os tivesse, Percebi então que Seus olhos, eu amava. Pois, vejo-os na criança Que encontro às quartas, E em saudades me debruço Nos versos que lhe guardo.

Passar, no diminutivo

(Víctor Lemes e Emilson Zórzi) Passeei por fronteiras, passei passarinho, E por cima das nuvens, montei o meu ninho. De graveto em memórias, fui botando capricho, Pra mais tarde, outras aves não virem por fuxico. E então em leve nuvem Fiz minha espaçonave Longe de mim, Não sou feito de asas não, Sou mal-feito, isso sim. Tenho os pés no chão Mas voo com meus olhos; Se aventuram neles Os que por esta terra pisaram. Vaguei por estradas, vaguei sozinho, E por sob as nuvens, perdi o caminho. De poesias e memórias reescrevo eu mesmo, Pois já não sou alado: apenas ao seu lado.