O Absoluto 

(Víctor Lemes)


A quem eu quero enganar,
Senão eu mesmo,
Ao pensar que a pessoa
Que amo
Também sente o mesmo?

Que me adiantou
Tantas palavras,
Tantos versos,
Tantas noites em claro?

Uns poemas, umas poesias,
Umas rimas,
Uns amores
Sem respostas...

Não,
Não vou mais chorar.

Já me cansei deste falso
Sentimento,
Que ao calar da noite
Se arrasta e chega perto,
Caminhando lento...

Minha ingenuidade ainda persiste
Em querer ajudar alguém
Que mal se importa
Se quer ser ajudada.

Este mundo carece do Amor,
Por que ainda não sentem...

E por mais que eu tente
Demonstrar que é possível
Ter um amor impossível,
Vem o orgulho, vem a vaidade,
Vem toda a frustração
Vestida pra me matar.

Mas não,
Não vão me matar.

Quão maléfico pode ser a imaginação,
Fazendo do poeta um grande sonhador,
E nada além disso há de se ver,
Já que preferem viver num mundo de ficções.

O poeta tanto ama
Que apenas triste e sozinho
Consegue inventar um amor perfeito.
E por ser perfeito não é real,
Pois nada de perfeito há de nascer neste mundo irreal,
E, eventualmente, imperfeito.

O poeta tem a coragem de imaginar
Pois foi assim que o Absoluto o fez:
Somos um sonho do Criador.
Nossa vida toda, é um grande segundo extenso,
Um tempo sem tempo,
Somos apenas vírgulas na grande sentença da eternidade inescapável

Que tolo que sou, Guadiões do Destino.
Mesmo sabendo, que ela não me quer,
Mal sonha em me ver,
Eu ainda a amo.

Mesmo sabendo que minhas palavras
Ainda não repercutem no fundo de sua alma,
Que ainda não sabe como funciona o mundo,
O verdadeiro mundo; o mundo que ofereci a ti.
Eu, ainda assim, te amo.

É tolice maior pensar que tudo que vivi,
Todos os sonhos que tive contigo, foram em vão.
Foram desperdício de seja lá o que for.

Não,
Não foram. Há uma razão, há um motivo.

São tantos os testes, tantas as provas,
Que Ele continua a fazer-me...
Já não consigo escapar mais de mim mesmo.

Já não tem como escapar de mais nada,
Não nasci por acaso, talvez você apenas seja minha aliada.
E ainda teimo em tê-la em mim,
Amada.

Teimo. Pois sou teimoso.
Mesmo que rasgue meus recados,
Mesmo que não os leia de coração,
Mesmo que de mim não sintas falta,
Mesmo que nós dois juntos seja apenas um sonho besta meu,
Mesmo assim, minha amada,

Continuo a inventar nomes.
Continuo a inventar histórias.
Continua a escrever memórias.
Continuo a te amar ao longe.

Continuo. Pois este é o signficado
De "adelatus":

Do latim: Continue.

Aprendi a amar sem querer,
Com Vinícius.

Aprendi a lutar pelo que acredito,
Com Ayrton.

Aprendi a não esquecer de todos nós,
Com Renato.

Aprendi o valor de um abraço,
De um afago, de um carinho,
De um Amor com maiúsculas,
Com o Vento.

Não tenho medo de sonhar.

E ao terminar este longo desabafo em versos,
Me jogarei na cama,
E descobrirei que menti a mim mesmo ao afirmar
Que não vou mais chorar.

Não tenho medo de te amar.
Um dia, eu vou sorrir ao teu lado,
Ou não...

Compartilhe:

SOBRE O AUTOR

Víctor Lemes, idealizador e administrador do blog, geminiano nascido em 1989, em São Bernardo do Campo. Formado em Letras (UniAnchieta/Jundiaí - 2009), e pós-graduado em Especialização em Língua Inglesa (UniAnchieta/Jundiaí - 2011), trabalha como coordenador pedagógico e professor de inglês na escola de idiomas CNA, localizado em Louveira, cidade em que mora desde 2002.

1 comentários: