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Mostrando postagens com o rótulo Série: Sem título

Sem título 28

(Víctor Lemes) Na ausência que me incomoda Vejo os pontos que formam As linhas de uma geometria que, Tanto em minha infância de débil carne, Quanto agora, na carne mais velha Pouco ou nada compreendo. Talvez minha vida seja um eterno "talvez" Escrito junto, sua resposta deriva De uma pergunta aberta, tal qual esta: Pretende voltar um dia? Talvez. Ou derivaria de uma pergunta fechada: Quando voltaria? Tal vez. Minha hora é como um dia, E feito um deus não sigo calendários. Sua opinião e suas ideias mo chegam Mas não me pertencem, E então, sigo em frente e acima, Ao mesmo momento que não me movo. Uma massa inerte presa a um ponto único, Podendo ser o início de algum círculo, Ou a aresta de algum quadrado, Ou o topo de algum triângulo. Ou ainda ser a tentativa de algum rascunho De qualquer outra imaginação. Acho que feito a originalidade de Kafka Ou a falta de tempo hábil para o término De seu Castelo, me acostumei A encerrar qualquer coisa Sem qu...

Sem título 12

(Víctor Lemes) Tenho andado com a cabeça baixa A olhar os fios de água da chuva Que correm por entre as rachaduras De uma terra supostamente firme. Minha cabeça gira, feito pião, Dá pra ouvi-la bem alto. Minha cabeça grita, Diante tanta hipocrisia Daqueles que estão perto. Minha garganta é capaz de deixar passar O riso tolo sobre coisas tolas, Mas nunca deixa o grito de agonia passar, Seja estridente, seja silencioso. Começo a entender agora o que outros Tem nos deixado aqui pra entender, Se eu fosse contar nos dedos Quantos são os verdadeiros, Ergueria os olhos pro infinito E lhe perguntaria: Pra quê tantos dedos?

Sem título 35

(Víctor Lemes) Numa sexta-feira chega Como quem quer uma dança, Quem de longe olha se encanta, Quem conhece ela não se engana. Finge ser, da rua, a mais santa, E os olhos são como as folhas das plantas, Um sobe-e-desce danado, Já não sabem onde pousar o olhar. E quando encontram aquele belo rapaz, Ambos os olhos pousam nele como fazem As moscas nos pratos sujos do jantar.

Sem título 34

(Víctor Lemes) Me despeço: Não volta, Meu mar está em revolta. Te peço: Não quero que suma, Apenas assuma.

Sem título 33

(Víctor Lemes) Deixei minha lua em Escorpião tomar as rédeas dessa vez: se me ama, demonstra. Senão for assim, deixa pra lá; o Mundo me chama. Sou raio, relâmpago, e trovão.
Sem título 31 (Víctor Lemes) Eu, como geminiano nato, Acredito que tenha nascido falho; Ou seria então os signos aéreos Cujos olhos servem apenas Para procurar novos outros olhos Para então saciar-nos o coração. E ali, no âmago da vida, Vou me destruindo aos poucos; No externo sou por todo alegre, Enquanto internamente, Atraio todos os encostos Ao preferir saciar-me o físico. Sou capaz de ver todo o resultado Do meu pouco esforço, E assim, carimbo abaixo: Decepção.

Sem título 28

(Víctor Lemes) Eu nem cheguei a pisar no interior de mim mesmo, e ainda há gente que se preocupa se na Lua alguém pisou. Deixa a Lua lá!
Sem título 25 (Víctor Lemes) Posso te contar uma coisa? Amo você, e tudo aquilo que escreve, O que pensa, e o que sente. Acredita no que digo, Amor? Desde que a conheci, tenho tido um sonho, Mas agora não há como realizá-lo... Amada, você me espera? Vou buscá-la logo, eu prometo. Amada você é por mim, lhe garanto. E apenas isto basta, ser precioso.
Sem título 24 (Víctor Lemes) Começa o Outono, A estação do Vento, E eu na estação Caminhando debaixo de Sol. Me arrastando entre as árvores Do passado negro. Eu, ser inativo, Inócuo, Início de Deus. Eu, que em trevas Sigo o meu caminho, Que em ecos de um labirinto De palavras, De gritos e mais gritos Sem desespero. Estou divagando Em perguntas; Estou me arrastando Em calçadas; Estou em eterno anseio Por teu sorriso... E nisso passa um carro, Cuja porta, impresso com tinta, Leio: - Carolina Móveis. E sorrio. Por um momento, O Vento me emprestara Teu sorriso.
Sem título 23 (Víctor Lemes) Eu não seria quem eu sou hoje,se não fosse a minha mãe. No meu mapa astral dizia que eu teria a sorte sempre por perto, Sem saber que dela fui seu feto.
Sem título 22 (Víctor Lemes) Me pergunto se você sente esse gosto amargo em tua boca também. Me pergunto se é certo querer saber disso. Me pergunto se um dia vai descobrir e entender tudo que vejo, tudo que sinto. Me pergunto se um dia tudo isso não passará de outra frustração. Me pergunto tanto, me pergunto demais. E no fundo, perguntas são só perguntas banais.
Sem título 21 (Víctor Lemes) A Intuição me bateu à porta este fim de tarde, Não quis atendê-la; Mesmo assim, sussurrou-me pela fresta... Vivo um dilema angustiante. E fui transbordado todo por dentro, De silêncio, de incerteza. E agora a consciência pesa, E faz-me chorar um poço inteiro.
Sem título 20 (Víctor Lemes) E eles dizem, ao apontar o dedo: "- Mas, e se o mundo acabasse hoje?!" Se o mundo acabasse hoje não faria muita diferença, seria redundante. O mundo já acabou dentro de cada um que se alimenta do medo.
Sem título 19 (Víctor Lemes) Direita, esquerda, direita, esquerda; Assim é meu caminhar. Carregando um lampião de azeite, Estou assim, a te procurar.
Sem título 18 (Víctor Lemes) Hoje ainda é quinta-feira. São 23 horas marcadas no relógio. Amanhã ainda será sexta-feira. Por que, agora, demora tanto Pra chegar os finais de semana?
Sem título 17 (Víctor Lemes) Chama-me criatividade , Chamo-a simplicidade , Conheço ansiedade , Sou filho da sensibilidade . Qual é sua idade?
Sem título 16 (Víctor Lemes) Quando olho, da varanda, o vasto horizonte, Admiro-a mesmo que tão distante. E hoje, as montanhas de nuvens cobrem os montes, Protegem-na pois é tão importante.

Sem título 13

(Víctor Lemes) Lá fora venta demais da conta, Inspirar-me basta apenas uma rajada. Lá dentro o vazio preenche tudo, Instigando-me a cair na tentação. Ao ver o sol partir-se ao meio Num céu recheado de luzes faz-me Hoje, um homem mais dócil, Incompleto, inerente, insuficiente. Gritar para dentro, como se oco fosse, Amar para fora, como se só belo houvesse.

Sem título 15

Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está passando inutilmente! - Érico Veríssimo (Víctor Lemes) Tenho nascido todas as manhãs Com aquele desejo de acabar-me as horas, De ter em mim a saudade da risada tola, Ou de lembrar de uma brisa leve nos cabelos. Tenho perdido e renascido em mim Feito pedra que está ali no meio. Estática, não atrapalha e nem ajuda, Ninguém gasta os olhos ao passar por ela. Tenho amado demais a terra Que me serve de base enquanto pedra. Já não rio da própria desgraça, Se nem consigo ser feliz às manhãs.

Sem título 14

Enquanto o caos segue em frente com toda a calma do mundo. - Renato Russo (Víctor Lemes) Vejo as linhas de minha mão Quando só há escuridão, Os caminhos tão traçados, Pontes quebradas por vidros quebrados. Olho o teto hoje, frustrado. E de repente acordo De um sonho distante, Onde o meu mundo é coberto Por um lençol iluminado, Bordado com estrelas de inverno, E seu movimento é constante. Havia flores na janela hoje cedo, E meu coração entardeceu-se, E o eu que tenho aqui dentro, Aquele que é tal qual morcego, Quando a noite chegara Já havia despertado. Está sereno, calmo, Repousa seus braços em meus ombros, Me beija o topo da cabeça, E me abraça sem ter braços. Mas posso senti-los ao redor de mim. Só não sei se é um querubim, Ou um serafim.