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Amores que (não) foram - 3º Livro Publicado

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Reuni todos os poemas escritos desde e para o meu primeiro amor até a atual,  e os dividi em 4 capítulos: A Calmaria, A Tempestade, A Maresia, e O Amor. Este é meu terceiro livro, e traz uma mescla de poesias amadoras e mais maduras, em sua grande maioria em português, mas algumas (por motivos "pseudo-óbvios") em inglês. Ele está disponível para compra no site Clube de Autores:

Umas folhas

(Víctor Lemes) Pego esta estrada de terra Que está a me levar embora De mim mesmo... Na minha partida O vinho da taça Havia sido desperdiçado... Carrego comigo, nesta estrada, Tão-somente umas folhas E um tinteiro, E eu aqui caminho sem rumo Por um dia inteiro... Nas beiradas do caminho Só há mato, silêncio, solidão; Atravessando o caminho Só, há eu, meu remédio, e um coração. 

Venus

(Víctor Lemes) Levanta a cabeça e anda, Não fui Lázaro Mas hoje ouvi isso De um mestre. Escrever diferente Pra mim é tão sei lá, sabe? É o distanciar-se De tanta gente. Só há uma forma De eu escrever Diferente: Eu me escrever Nos meus versos Como fiz com todos os outros, E findá-los todos Com aquela expressão De sentimento Que só quem sou eu Saberá entender: Estou tão perto De estar desperto Que dou corda Para minha máquina Do tempo.

Soneto à Pequenina

(Víctor Lemes) Ah! Mas que saudade de ti, Amada! Por onde andas Este teu coração que acompanhas Minh'alma? Amo-te! Sinto a formigar toda parte Do corpo, quando assim distante Ainda me encontro... Minha amada, te quero tanto! Anseio ver-te a cada noite, Quão escura esta seja, Não me importa. As palavras que escreves São a voz da cigarra, Que à minha porta toca.

E a magia...

(Víctor Lemes) Pés descalços, a caminhar por sobre a terra, Caia a chuva cansada, e suada de tanto calor. Caminhava sem olhar para qualquer direção, Dizia que procurava de onde vinha tanta vontade... E, diziam-no: "vem de dentro de ti, oh pequeno garoto." Diziam-no: "vem aqui, dentro de nós, oh menino bondoso." Ouvia-lhes: "se perca dentro do Universo, parcela de Deus." Ouvia-lhes: "queira se perder por entre as estrelas, somos teus." Agora corria, ainda olhando o solo, seus pés afundavam na lama. Pisava, amassava, destruía folhas secas no caminho, sementes Não vingadas de amor e de esperança, e de rancor e de tristeza. A cada passo a frente, sentia-se um passo atrás, ou sentia-se nada. Fechou os olhos. Enquanto corria, Com sua mão direita agarrou seu peito, O lado esquerdo... Enquanto corria, Com seus olhos castanhos cerrados, Levantou sua cabeça aos céus... Com os olhos fechados, A fitar os anjos que fingem ser es...

Da Tristeza

(Víctor Lemes) Tive que provar da Tristeza Os dias mais frios que senti, Para que assim valorizasse a beleza Do Amor profundo e infinito que sinto por ti.

A month... to go.

(Víctor Lemes) Deixo aqui para quando A Cecília chegar, Quando ela estiver maior E já souber ler sozinha... O Amor, minha filha, É o que habita as estrelas Que observa todas as noites, Como costumávamos fazer Em suas noites de criança. Seu pai custou a aprender O que Ele é, mas espero Que com estes versos Você desperte antes. (Ele sempre saiu atrasado, Para tudo. Pode rir, eu sei.) Cecília, você é a cara E o jeito de sua avó, É como se ela não tivesse Partido antes de mim Ou antes de você chegar... As pessoas não vão te entender, Meu Amor, mas deixe-as Para depois... Isto acontecia com sua avó, Aconteceu comigo, E por "coincidências" Acontecerá contigo; Não tenha medo, pois Estamos com você; Você é o Amor, Cecília. É por você que te deram Seu pai, e por conseguinte, A estrela que iluminou Todo o caminho dele. Cecília, o mundo é feio É sujo, é preguiçoso. Mas lembre-se: Você não é o mundo, Você está no mundo. Nem todos vão te en...

Daqui

(Víctor Lemes) Sabe o que é mais cômico? Eu comentar que minha mãe definitivamente não é daqui , E as pessoas rirem, como se eu falasse em metáforas.

O choro não sai

(Víctor Lemes) Hoje a felicidade me vem Feito brisa que à noite percorre. Traz consigo o que não tem: Minha insegurança precoce. Hoje a felicidade que em mim Habita, me diz que eu, ainda Sou daqueles que merecem sim. Sou tão feliz esta noite, Pois aprendi muito de quem pouco fala. Estou tão feliz esta noite, Pois as lágrimas estão todas tímidas, Não querem sair de casa, Estão todas vermelhas, envergonhadas. Hoje, ganhei um livro. Me senti querido. Hoje a noite, vivi mais que hoje cedo. Deus fala por meio de números, De pessoas, de palavras, E de memórias. Ele é tão simples assim, Só pra me mostrar Que nada é difícil como parece, Ou tão fácil como se deseja que fosse. Ele é simples assim. Ele é Deus, Alá, Luz Eterna, etcétera. É Amor, com maiúscula. Amo, assim como és, simplesmente.

A ponte

(Víctor Lemes) Uma ponte em uma foto Preto e branca. Uma ponte simples numa foto Sem pessoa alguma. Num quadro uma ponte, A metáfora de muita gente.

Falso Haikai I

(Víctor Lemes) Acabei de escrever cinco linhas. Mas por serem demasiadas verdadeiras, apaguei-as.

Ela que apanha só

(Víctor Lemes) Eu que não sei nadar, nem boiar, Me atrevo, nessa imensa rede navegar Para quem sabe te encontrar num canto De pássaro azul e preto, Um canto curto com teu nome. Me pergunto se já não vivemos juntos Em outros tristes portos... Teu nome que suspira sempre... Ai! E que em frente a ele, ai! Se apressa, corre, tropeça e cai! Ai, ai... Esse Amar... não depende Do outro, não depende de mim. Talvez ele seja, dentre todos os verbos, O que, todos os dias, acontece.

Garoa

(Víctor Lemes) Os olhos atravessam Uma das cinco janelas de vidro, Estou olhando o cair da chuva. Cai devagar, sem muita pressa, Essa garoa que vem assim de repente, E atravessa o dia todo A chorar assim, ó Chuva amada... Como ela está agora, Como está seu coração? Ó Deus que sabe de tudo, Responda-me: Estas lágrimas que caem do céu, De quais olhos elas são?

Barco de Papel

(Víctor Lemes) Sou a dobradura Numa folha qualquer, Na minha mesa há fartura Para você, se quiser. Dos carinhos todos Eu sou o cafuné, Não sou de apontar dedos Muito menos de ficar no pé. Te espero dobrar-me Em dois, juntar minhas Pontas, e lançar-me ao ar Feito avião; ou fazer-me barco E deixar'me à deriva do teu mar, Eu tripulante, você capitã.

Barba pra quê?

(Víctor Lemes) O homem podia Ter nascido sem ter Que ter a maldita barba, Que toda semana Tem que fazer, Tem que aparar, Tem que mostrar Que é homem direito. Deixar a barba crescer É não ter jeito, É brigar com a mãe, Com a avó, com a filha, Com a mulher, com a namorada, Só por que a bendita da barba Está mal-feita, mal-cortada, Está toda torta, está de qualquer forma; Ou não está do jeito bonito, Do jeito arrumado, Do jeito do galã da TV, Do jeito que eu pedi para ficar. Deus me perdoe quem goste dela, Mas fazer a barba é um pé no saco! Deus é um cara irônico, Aposto e ganho que para ele Não fez surgir sequer Um pelo no rosto!

A levada da breca

(Víctor Lemes) De mãos dadas vamos caminhando pela estrada De terra e pedra. Vez ou outra se agacha para contemplar As folhas ambulantes. E a luz do sol é refletida em teus cabelos Cacheados e compridos. Carrego-a nos ombros, ambos nos olhamos. Com seus braços ao redor de minha cabeça, E os meus ao alto, apontando os pássaros. Agarro tuas pernas, Abre teus braços, Corremos juntos feito um de nossos irmãos. Voamos enquanto nossos pés Não saem do chão. As flores que se debruçam ao redor da estrada Sorriem para você. À noite, os amigos lá de cima nos cumprimentam, Estamos deitados, estatelados no gramado. Estamos com braços e pernas afastados, Rimos fingindo ser uma estrela também. Pego tua pequenina mão com leveza, Escolho seu indicador e o aponto à uma delas, Uma em especial, Uma cor lilás, pulsante, enorme, majestosa. "Vê aquela ali? Se não fosse ela, você não estaria aqui." "Como assim, papai?" "Você é a promessa da sua avó. M...

Um sussurro

(Víctor Lemes) A poesia está no ar, Só quem tem ouvidos que ouça Consegue ouvir sua voz Lhe sussurrar... O segredo é estar, Simplesmente estar... E toda a rima e todo o ritmo Flui como o vento... O Infinito conspira a nosso favor, E deixa seu legado em diversos formatos: Minhas palavras; meus versos... O Amor eterniza seu desejo, E lhe permite realizá-lo quando quiser: Até quando o Tempo já não mais houver...

Só então

(Víctor Lemes) Abraçada ao travesseiro Espera encontrar Alguém que seja aventureiro Preparado pra, com você, voar. O amor verdadeiro Não vem quando se sente incompleto, Muito pelo contrário: Ele te pega desprevenido Quando você acha Que tudo que viveu, Você já tem aprendido... Garota, quando você sentir-se Em paz consigo mesma, Só então, sentir-se-á completa... E ele te encontrará.

Cadê

As pessoas vão ver que estão sendo roubadas Vai haver uma revolução Ao contrário da de 64 O Brasil é medroso Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia Vamos pra rua - Cazuza (Víctor Lemes) Cadê a revolução nas ruas, Os jovens insatisfeitos com a vida Correndo, carregando cartazes e placas, Sedentos por eminente mudança? Olhos que nascem brilhantes feito diamante, Opacos ficam com o brilho da tela grande. Vazios são os olhos daqueles que descansam Em sofás confortáveis, e pouco nos amam. E o nosso mundo está o caos que aí está, Como já nos disse um das grandes mentes, Com liberdade de expressão dos jovens, Sem vontade de se expressarem, mentes pobres. Como entender um mundo sem começo, Que espera ansiosamente o final? Como salvar um mundo sem tropeço, Onde mal conhecem o próprio quintal? Pense só um pouco Não há nada de novo Você vive insatisfeito e não confia em ninguém E não acredita em nada E agora é só cansaço e falta de vontade Mas faç...

A metáfora do Amor

(Víctor Lemes) O Amor não deve ser visto como espada, A quem O empunha, fere o outro; O Amor não deve ser visto como escudo, Pois Ele não serve para defendê-lo da mágoa; O Amor não deve ser visto como coroa, Só quem O possui estará acima de todos; O Amor não deve ser visto como doce, O doce exclui o amargo, e Ele não escolhe lados; O Amor não deve ser visto como borboleta, Nem como elefante, tampouco formiga, Muito menos ser-humano; Todos eles são muito poucos perto Do tudo e do nada que o Amor é; A verdadeira metáfora do Amor É exatamente a lógica contrária: A vida que vivemos, minuciosamente Trabalhada pelo Pai Azul, esta sim, É a personificação do Amor; A vida é a metáfora do Amor; Você é a metáfora do Amor; Bem-vindo aos sonhos de Deus.