Calendário

(Víctor Lemes)

Sou um doido varrido pelas bruxas que voam
Sob suas vassouras!
E sobre os telhados durmo feito ninhos
De passarinhos...
Sim, sou um objeto inanimado
Que se anima ao ver-te, amada!
E meu calendário não tem dias nem meses,
Cada folha das mil e uma folhas deste
Representa uma única hora;
E no lugar dos dias ficam os segundos,
E a cada momento que passa
Rabisco o segundo todo do papel!
É um segundo a menos...
A menos do nosso encontro, amada!
Enquanto os carros passam depressa,
Estou a caminhar devagar
Feito tartaruga que um dia ganhou da lebre,
Mesmo que esta tua ausência me traga febre...
Mesmo assim, meu amor,
Hoje sei que não há outra no mundo
Nem noutro mundo qualquer,
Que tenha esta tua essência que vem das estrelas!
Não há, não há!
E não há mais nada, por hoje, a declarar-te;
Pois quanto mais me declaro a ti,
Mais de Amor me encho.
E nunca me encho de ti, meu amor... Nunca.
Sou um doido que vaga pelas ruas
Com uma gaveta no bolso esquerdo
Da camisa.

Compartilhe:

SOBRE O AUTOR

Víctor Lemes, idealizador e administrador do blog, geminiano nascido em 1989, em São Bernardo do Campo. Formado em Letras (UniAnchieta/Jundiaí - 2009), e pós-graduado em Especialização em Língua Inglesa (UniAnchieta/Jundiaí - 2011), trabalha como coordenador pedagógico e professor de inglês na escola de idiomas CNA, localizado em Louveira, cidade em que mora desde 2002.

0 comentários:

Postar um comentário