O porquinho

(Víctor Lemes)

Se cada dia
Que eu amasse minha Amada
Fosse como uma moeda,
Diria eu que encheria
Meu porquinho, cada dia
Um pouco.

E não diria
Que a cada dia que passa
Aumentaria a quantia
Das moedas.
Pois, no Real,
A menor delas é hum centavo,
E a maior é hum real.

Não seria por isso,
Então, que assim não encheria
A cada dia meu porquinho.
Há quem pense que aumentaria
A quantia e o valor das moedas,
A cada dia, pois fala-se
Que de vez em vez o Amor cresce;
Mas, não querido amigo,
O Amor não cresce, nem evolui,
Ele estagna e estaciona.

E assim, depositaria
Todos os dias
(Incluo aqui até os domingos
E os feriados),
Todos sempre a mesma moeda.

E a cada dia,
Sigo depositando minhas moedas,
Sigo enchendo meu porquinho
De valores,
Até que a data do encontro chegue.
Até que eu chegue
A pegar o martelo,
Para quebrar o porquinho...
E... doar todo o Amor
Nele, até então, embutido;

Paro. Grito:
- Por Deus!
- Não consigo!
- Não consigo matar o porquinho!

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SOBRE O AUTOR

Víctor Lemes, idealizador e administrador do blog, geminiano nascido em 1989, em São Bernardo do Campo. Formado em Letras (UniAnchieta/Jundiaí - 2009), e pós-graduado em Especialização em Língua Inglesa (UniAnchieta/Jundiaí - 2011), trabalha como coordenador pedagógico e professor de inglês na escola de idiomas CNA, localizado em Louveira, cidade em que mora desde 2002.

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