Pro Filho (Víctor Lemes) Sou só um garoto, que por mais que tenha lido sobre, por mais tenha praticado, ou tentado o amor, ainda se sente só. Às vezes abaixa a cabeça e pensa, se dá pra viver sem alguém. Há estórias que me dizem que sim, mas estórias, no fim, são só estórias. Tem vezes que pensa em dizer que ama, mas trava, sem respiração ele fica, e muda de assunto, assim como as pessoas mudam de assunto quando não querem ou não sabem responder algo complicado. Já não tem tanto medo de morrer, mas também tem vezes que não vê graça em viver... E no meio de tantos outros, se sente como um coringa. Tanto diferente no layout, quanto no seu destino nos jogos. Nos que ele é usado, ele é sempre de bom proveito, temporariamente. Se estiver com alguém ou não, já não vê mais diferença. O resto do baralho, ele não pertence. O resto do trabalho já nem liga pra ele. Enquanto a minoria, deixa o coringa de lado... Hoje, esse rapaz, ou garoto, ou coringa, se sente cansado, triste, e quieto. ...
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Ficar de fora (Víctor Lemes) Há vezes em que duvidamos da existência dele. Desde há tempos que estamos nesse maldito apocalipse. Centenas de vidas, genericamente falando, morrem a cada segundo. E há dias também, que queria ter nascido rico, e super-homem. Assim, eu poderia voar pra quem precisa e ajudá-los. Mas há tantas bocas famintas por aí. Sozinho não daria conta. Sim, nem mesmo eu sendo um super-homem. Eu decidi vir até este mundo. Na estaca zero, eu me alistei no "exército" da Esperança. Embora, já não haja esperança no coração daqueles que ainda vivem. Do que adianta ter esperança no futuro deste mundo, enquanto você assiste aos noticiarios, e diz: "Nossa, que horrível.", e volta a jantar? De que adianta prometer algo que não pode cumprir? Eu não prometi salvar o mundo. Eu só estou aqui como uma ferramenta. Eu estou aqui como um verdadeiro Azul. Eu vim trazer a Esperança, assim como o Azul e azuis trazem, em seus nomes. Não vim trazer a Paz. Não sou a...
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Lugar pra nós (Víctor Lemes) O silêncio é o único perfume que sinto. A chuva chora no sereno da noite. Os girassóis repousam ao não ver mais o Sol. E eu estou a acordar. Os sonhos que não voltam mais sobre rodas. Só mais um Coringa no baralho da existência. Mas não é só um, são juntos... Não quero a qualquer. Querer não é poder. O que eu tenho aqui... ( Aponta para o seu coração ) - Não é para qualquer uma. Depois que a chuva parou de chorar, Após os raios, medos, inseguranças, e segredos, Terem caído no solo fértil do Amor... O silêncio invadiu o clima. Não um silêncio de paz. Um silêncio, só. Um triste silêncio... E eu pensei... ( Olha para o céu ) - Lá se foi. Mas é... mente... Os meus tempos de chuva, já passaram. Assim como os girassóis, Tenho a certeza, não esperança, De que o Sol sempre nos dá a chance De tentar de novo. Na calmaria dos dias Vou caminhando... ( Viram os olhos para a árvore mais próxima do quintal ) - Quando o tempo passar....