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Garoa

(Víctor Lemes) Os olhos atravessam Uma das cinco janelas de vidro, Estou olhando o cair da chuva. Cai devagar, sem muita pressa, Essa garoa que vem assim de repente, E atravessa o dia todo A chorar assim, ó Chuva amada... Como ela está agora, Como está seu coração? Ó Deus que sabe de tudo, Responda-me: Estas lágrimas que caem do céu, De quais olhos elas são?

Barco de Papel

(Víctor Lemes) Sou a dobradura Numa folha qualquer, Na minha mesa há fartura Para você, se quiser. Dos carinhos todos Eu sou o cafuné, Não sou de apontar dedos Muito menos de ficar no pé. Te espero dobrar-me Em dois, juntar minhas Pontas, e lançar-me ao ar Feito avião; ou fazer-me barco E deixar'me à deriva do teu mar, Eu tripulante, você capitã.

Barba pra quê?

(Víctor Lemes) O homem podia Ter nascido sem ter Que ter a maldita barba, Que toda semana Tem que fazer, Tem que aparar, Tem que mostrar Que é homem direito. Deixar a barba crescer É não ter jeito, É brigar com a mãe, Com a avó, com a filha, Com a mulher, com a namorada, Só por que a bendita da barba Está mal-feita, mal-cortada, Está toda torta, está de qualquer forma; Ou não está do jeito bonito, Do jeito arrumado, Do jeito do galã da TV, Do jeito que eu pedi para ficar. Deus me perdoe quem goste dela, Mas fazer a barba é um pé no saco! Deus é um cara irônico, Aposto e ganho que para ele Não fez surgir sequer Um pelo no rosto!

Dudas

(Víctor Lemes) Mis sueños tú invades, Y preguntome ¿Por qué? ¿Por sus ojos orientales Que sonrien para mi? ¿Por los siete años que nos Separan y traen la Imposibilidad de sermos Dos nesta ciudad hipócrita? ¿O sólo por servir Suya beleza a mi Corazón y, entonces, Traerme otra vez más Inspiración?

Lifetime

(Víctor Lemes) For a lifetime We shall share The same beds And the very same towels. When we open our eyes, For the time has arrived, We shall see what has always Been before and within ourselves. The longer will be our days, Perhaps there we shan't be two no more; Yet, I'll be around you. For fear of losing you On the tides of the endless ocean I'll be waiting for you by the shore... Will you let me be A promise so you can keep me?

A levada da breca

(Víctor Lemes) De mãos dadas vamos caminhando pela estrada De terra e pedra. Vez ou outra se agacha para contemplar As folhas ambulantes. E a luz do sol é refletida em teus cabelos Cacheados e compridos. Carrego-a nos ombros, ambos nos olhamos. Com seus braços ao redor de minha cabeça, E os meus ao alto, apontando os pássaros. Agarro tuas pernas, Abre teus braços, Corremos juntos feito um de nossos irmãos. Voamos enquanto nossos pés Não saem do chão. As flores que se debruçam ao redor da estrada Sorriem para você. À noite, os amigos lá de cima nos cumprimentam, Estamos deitados, estatelados no gramado. Estamos com braços e pernas afastados, Rimos fingindo ser uma estrela também. Pego tua pequenina mão com leveza, Escolho seu indicador e o aponto à uma delas, Uma em especial, Uma cor lilás, pulsante, enorme, majestosa. "Vê aquela ali? Se não fosse ela, você não estaria aqui." "Como assim, papai?" "Você é a promessa da sua avó. M...

Um sussurro

(Víctor Lemes) A poesia está no ar, Só quem tem ouvidos que ouça Consegue ouvir sua voz Lhe sussurrar... O segredo é estar, Simplesmente estar... E toda a rima e todo o ritmo Flui como o vento... O Infinito conspira a nosso favor, E deixa seu legado em diversos formatos: Minhas palavras; meus versos... O Amor eterniza seu desejo, E lhe permite realizá-lo quando quiser: Até quando o Tempo já não mais houver...